A vida é um dia

Fonte: Renan



Dizem por aí que o mundo é do tamanho dos nossos sonhos, mas você já parou para pensar que por este motivo ele se revela tão pequeno quanto nós? Esses dias estava conversando em uma roda de amigos sobre as esperas do dia, como é difícil ter que viver um dia de cada vez quando queremos algo que pelo tempo ficou acumulado, quando ao nosso redor enxergarmos a velocidade da existência, quando olhamos para trás e nos arrependemos de algo que pela própria matéria e efeitos da vida não tem conserto, ficamos ali, correndo numa esteira para ver qual a resposta do tempo, e o mundo vai se tornando uma gaiola que nos aprisiona em um único espaço.
Nessa louca jornada da vida, uns vêm enquanto outro vão. E o mundo continua a girar. Amores se transformam, mas não deixam de ser amor, pelo menos não deveriam. Chegadas e partidas são realidades inexoráveis. Sofrer, para quê? Rita Lee dizia que “o adeus traz a esperança escondida”. Não falo apenas no âmbito das relações amorosas, falo de algo muito maior: de pessoas, experiências e impressões.
Quando a culpa chega em nossas vidas, surge então a esperança, ela nos faz sentir saudade, e ficamos ali na espera, não necessariamente do que se foi, mas do que se pode vir no lugar do que está ausente, tem certos vazios na vida que não tem como permanecer desabitados.
A gente insiste em tentar ensinar a vida. Bobagem! O melhor é aprender com ela. Aprender o quê? Que todo fim é sempre um começo, mas nem todo começo precisa se repetir. Essa dimensão é só uma das várias existentes, motivo pelo qual o ciclo que aqui se encerra, recomeça em outra esfera.
A esperança escondida se revela no agora. Por isso, em que pese as dores do hoje, sem culpa, vivendo um dia normal, sem horas extraordinárias, quando o sol nascer é preciso acordar, levantar e viver cada segundo como se fosse apenas um dia e enxerguemos que no tempo presente existe um outro olhar, uma nova forma de perceber, de sentir e assim, quem sabe, de aliviar o sofrer. Viver é para aprendiz, não para super-heróis.
Como dizia Marisa Monte: “Eu pago para ver qual meu lugar neste mundo e a vida é um dia, um dia sem culpa, e caso venha perder, eu perco é o medo do que a sorte ler ”. Não é preciso tentar compreender o hoje, às vezes vale a pena nos enxergamos no pequeno, despercebidos, sem culpa, sem dramas, mas com uma esperança anônima, sem saber o que nos aguarda, seja bom ou ruim, pagamos para ver qual o nosso lugar, neste mundo, mundinho!







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O tempo e a vida

Fonte: Renan

Nessa louca existência, a gente aprende que viver é passar pelo seguinte ciclo: nascer, crescer, reproduzir, envelhecer e morrer. É uma pena que nem todos passam por todos estágios naturais de uma vida. Uns só nascem, uma outra parte nasce e cresce, enquanto alguns nascem, crescem e reproduzem, há quem nasce, cresce, reproduz e envelhece. Mas o que todos temos em comum? A morte! Ela é fatal. Chega para todos! Cedo ou tarde, sem pedir licença, nos convida para o além. O que isso nos ensina? Aproveitar a vida como se não houvesse amanhã, e nem depois… Sem vergonha de demonstrar o mais íntimo dos sentimentos, sem censura prévia e posterior, e claro, sem perder o equilíbrio, e a razão da própria vida.

 

Às vezes me deparo com a velocidade do tempo, ontem eu queria ser, hoje, eu sou. Amanhã vou querer o que hoje desconheço, e o tempo não para! “O agora” é tão fugaz e o que é hoje sempre foi; os sentimentos, as necessidades humanas. O que nos justifica todos os dias é o que queremos ser amanhã, sem passar por cima do presente que às vezes nos deixa parado, e com tempo a perder.

 

Não acredito que temos todo o tempo do mundo, como dizia Renato Russo nos anos 80, discordo. Temos o tempo que nos foi dado, pela plenitude da vida, sobretudo, dividido por ciclos, como diz em um dos livros da Bíblia, lá em Eclesiastes cap. 3: “há tempo para tudo nessa vida, de baixo do sol que nos protege”. Agora, quanto a isso, cabe a nós saber aproveitar cada momento. Mas, o tempo passa, ele não acaba, ao contrário de nós, ele é eterno. Quem passa é a gente, carregando verdades e sentimentos que nos identifica, podemos ampliar nossa mente, os livros que lemos hoje, nos dirá quem seremos daqui dez anos, assim, passamos pela vida, com o pertencimento de algo, ou fazer parte de uma outra vida, construindo uma história.

 

O que não vale é querer atropelar o tempo, saber o que irá acontecer amanhã, se preocupar tanto com o futuro e deixar de pertencer do presente. A graça da vida está no desconhecido, em deixar as coisas acontecerem como devem acontecer. Já acho tão difícil entender e aproveitar as coisas do momento que não vejo razão para dar atenção às futuras.

 

Eu fico com Toquinho e Vinícius: “E ali logo em frente, a esperar pela gente, o futuro está/E o futuro é uma astronave que tentamos pilotar/Não tem tempo nem piedade, nem tem hora de chegar/Sem pedir licença muda nossa vida, depois convida a rir ou chorar/Nessa estrada não nos cabe conhecer ou ver o que virá/O fim dela ninguém sabe bem ao certo onde vai dar/Vamos todos numa linda passarela/De uma aquarela que um dia, enfim, descolorirá”. Quando minha aquarela vai descolorir? Não sei, e fico feliz por não saber nada. Só assim, posso aproveitar o que está ao meu redor aqui e agora.


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