Machismo na adolescência

Você é machista? Eu? Sou adolescente ainda...É com você que quero falar hoje.

Quando sua mãe pede para você lavar as louças do jantar ou retirar o lixo, você pensa que a está ajudando? Quando você vê uma menina vestida com roupas muito curtas, você deduz que ela está disponível sexualmente e que, por isso, não é confiável? Quando sua irmã pré-adolescente demonstra interesse por temas como namoro e sexo, você a recrimina e diz que essas coisas não são apropriadas a uma menina?

Se você disse sim para alguma destas perguntas, você partiu de conceitos machistas. Ou seja, sua visão de homem e mundo está atrelada à divisão das pessoas por gênero: homem ou mulher.

E muitas meninas também responderiam sim à estas perguntas!

Se você critica alguma coisa ou comportamento nas mulheres e não critica essa mesma coisa ou comportamento nos homens, você não tem problemas com a coisa ou com o comportamento, mas sim com as mulheres. A mesma ideia vale para sua opinião sobre os homens. Ou você acredita na plena igualdade entre homens e mulheres, ou não. Simples assim.

Estereótipos de gênero nos levam a repetir, sem pensar, frases como estas: “ mulher no volante, perigo constante", "homens devem ajudar suas esposas”, “lugar de mulher é na cozinha” e assim por diante.

As estatísticas comprovam que o maior número de acidentes de trânsito envolvem homens na direção; que homens e mulheres são responsáveis igualmente por seus lares; que os grandes chefes de cozinha no mundo são homens. Nem melhores, nem piores. Chimamanda Ngozi Adichie relata no livro Para educar crianças feministas, que “nos discursos sobre gênero, às vezes, há o pressuposto de que as mulheres seriam moralmente “melhores” que os homens. Não são. Mulheres são tão humanas quanto aos homens. A bondade feminina é tão normal quanto a maldade feminina.”

Uma boa dica é sempre nos perguntarmos: quais são as coisas que as mulheres não podem fazer por serem mulheres? Essas coisas têm prestígio cultural? Se têm, por que só os homens podem fazê-las? Estas perguntas nos ajudam a pensar, nos ajudam a decidir que mundo queremos viver e conviver.

Boa reflexão!

Um abraço, Paula.







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A FAMÍLIA QUE EDUCA

Como? Como a família educa? Qual seu papel na formação das novas gerações?

As grandes transformações pelas quais passa a família, mais precisamente desde as décadas de 50 e 60, a tornaram extremamente vulnerável aos novos conceitos pedagógicos e sociais, que nem sempre são transmitidos fidedignamente à população. Construímos assim, vários equívocos, falsas interpretações.

Pais e mães têm estado perdidos, não apenas como educadores, mas principalmente como seres humanos. Sendo assim, o modo como têm vivido tem sido bastante contraditório, o que influência diretamente na formação dos filhos.

Flávio Gikovate nos diz que “o titubeio dos pais é percebido pelos filhos, os quais então tendem a ocupar o território livre”, o que faz com que muitos lares hoje sejam “governados” pelos filhos e são os pais que temem perder o afeto deles.

A família, às vezes, negligencia as atitudes educacionais, em nome de todos esses conflitos dos nossos tempos. Foi-nos ensinado que o primordial é dar amor aos filhos. E em nome dessa ideia, confundimos as coisas. Entendemos que amar é abrir mão das atitudes educacionais necessárias e de nossa responsabilidade, e dizer sim a tudo. Esquecemo-nos que o amor pode ser incondicional, mas a aprovação, o respeito e a admiração dos pais em relação aos filhos, precisam de uma relação de troca. Há que se corresponder, há que se empenhar, há que se retribuir o que se recebe dos pais.

Com medo de traumatizar, muitas famílias abandonam o papel de educadoras, abandonam a responsabilidade de transmitir valores éticos, de formarem cidadãos (desde a primeira infância), também éticos e responsáveis.

É também papel da família tornar o filho cada vez mais independente e autônomo, para o fortalecimento de sua autoestima e para a liberação dos pais. Bom pai e boa mãe são aqueles que, pouco a pouco vão se tornando desnecessários. Os filhos vão aprendendo a sair do ninho e gostando cada vez mais de voar.

Uma postura intermediária entre a atitude repressiva tradicional e a permissividade covarde dos nossos dias, é o desafio da família atual. Ensinar os filhos a lidar com as frustrações, em casa, é muito importante. Formá-los para que sejam responsáveis, dignos, éticos e seres humanos mais completos e felizes, é nosso dever.

Pais e filhos evoluem quando afinam o relacionamento, quando discutem as normas, quando os pais avisam as crianças das contradições existentes, por exemplo, quando ensinam algo que não praticam. Se um dos pais fuma, sabe e aceita que é dependente de nicotina, nada o impede de pretender evitar que o filho siga o mesmo caminho. Será visto como exemplo de sinceridade e humildade, será bem visto.

Nossos filhos terão que ser melhor que nós! Contribuir para que isso aconteça é a grande prova de amor que podemos lhes oferecer.

Não há receitas, não há modelos certos ou errados de famílias, há famílias. E, “sem humildade e coragem não há amor” – Zygmunt Bauman.

Bom final de semana!

Paula de Ávila.


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Meu filho errou. E agora?

Educar é mostrar a vida a quem ainda não a viu, dizia Rubem Alves. A primeira tarefa da educação é ensinar a ver, educar os olhos, treinar o olhar para que além de ver, possa enxergar! Ver não é faculdade natural dos humanos, não basta ter visão perfeita para ver. É preciso aprender a ver! E nesse processo complexo e lindo, quem educa também aprende. Talvez o maior aprendizado do educador, dos pais e professores, seja a paciência! Ganha paciência quem ensina a ver, pois cada um vê a sua maneira, com os seus olhos, com o seu coração, com as suas razões, a partir de seu mundo. Acompanhar esse tempo do outro, esperar o enxergar acontecer, exige muita paciência, exige flexibilidade e abertura para o novo. Faz parte desse caminhar avanços e retrocessos, não se trata de linearidade. Educar também é conviver com possíveis erros ou atitudes prejudiciais do educando, seja filho ou aluno. O que fazer quando meu filho erra? O que fazer quando meu aluno erra? Atitudes imprudentes, ações destrutivas ou antiéticas, contravenções morais ou qualquer outra atitude contrária ao combinado ou às orientações recebidas, são consideradas erros. Podem estar apenas querendo nos dizer o que as palavras não foram capazes de expressar... Atenção, também é prerrogativa do educar. O educador também precisa ver e, enxergar. A cultura africana pode nos ajudar a melhor ver, nesses momentos. Conta-se que há uma tribo africana com um costume muito bonito e interessante. Quando alguém faz algo prejudicial e errado, a pessoa é levada ao centro da aldeia e rodeada por toda a tribo. Todos acreditam que o ser humano nasce como um ser bom, desejando segurança, paz, amor, felicidade. Mas, às vezes, na busca dessas coisas, muitos se perdem e cometem erros. A comunidade vê esses erros como pedidos de socorro. Então, toda a tribo se une para levantar a pessoa, para reconectá-la com sua verdadeira origem, para que ela lembre-se de quem verdadeiramente é. Durante dois dias vão dizer à pessoa todas as coisas boas que ela já fez, sem julgamentos. Repetem: SAWABONA - "Eu te respeito, eu te valorizo, você é importante para mim". A pessoa responde: SHIKOBA - "Então, eu existo para você!" Boa reflexão! Grande abraço!


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Sexualidade na Adolescência

O tema Sexualidade ainda causa espanto e receio em muitos profissionais e pais que lidam com crianças e adolescentes. Muitas dúvidas e tabus. Sexualidade não se trata apenas do ato sexual, mas de diversas características que definem cada ser humano.

Adolescência! Momento tão esperado e ao mesmo tempo tão temido!

Momento em que o mundo ganha outras cores e torna-se o ideal de cada dia. Ganhar o mundo, fazer cada vez mais coisas fora de casa, ser independente é o desejo predominante na adolescência. Muito mais tempo dedicado aos amigos e menos tempo à família!

Grande parte dos conflitos entre pais e filhos adolescentes possuem essas causa, são por esses motivos. Os desentendimentos aumentam e os pais se sentem perdendo o controle sob a vida dos filhos, o que os levam a dizer que não sabem mais o que fazer com eles.

Questionamentos a respeito de si mesmos e da vida, as primeiras experiências na área sexual e o mundo do trabalho são as grandes preocupações, de modo geral, do adolescente.

Em função de toda essa complexidade, as relações familiares podem se tornar mais fragilizadas e o adolescente sentindo-se não compreendido ou não aceito em sua singularidade, sente o vazio interior aumentar na medida em que as incertezas se tornam demasiadamente angustiantes e as cobranças da família, da escola e da sociedade também aumentam. Assim, há uma grande e perigosa queda da auto estima do menino e da menina adolescente.

Segundo dados da Pesquisa Juventude, Comportamento e DST/AIDS, realizada pela Caixa Seguros, com o acompanhamento do Ministério da Saúde e da Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) em 2014, 04 em cada 10 jovens brasileiros acham que não precisam usar camisinha em um relacionamento estável e 03 em cada 10 ficariam desconfiados da fidelidade do parceiro, caso ele propusesse sexo seguro.

“Notamos que os jovens menos vulneráveis são aqueles que conversam com os pais sobre sexualidade e que têm maior escolaridade. Mas pouquíssimos conversam com os pais sobre isso e a maioria não está estudando, repetiu alguns anos na escola. Embora eles não percebam, essa vulnerabilidade em relação à AIDS existe e é latente”, disse o coordenador da pesquisa, Miguel Fontes.

Nosso papel como pais e educadores, assistentes sociais, psicólogos, enfermeiros, líderes religiosos e comunitários precisa ser sempre no sentido de possibilitar reflexão aos jovens. Precisamos lembrar que eles não são mais as crianças que eram e que aceitavam as nossas ordens com menos questionamentos, mas que estão em transformação diária, e ao mesmo tempo trazem consigo um mundo de oportunidades e de criatividade pulsante, precisando apenas de apoio e orientação.

Lembramos-nos de Leo Fraiman, psicoterapeuta e educador especialista em adolescência, quando alerta: “Anteriormente os pais tinham respeito por eles mesmos. O que falavam estava falado e ponto final. Hoje os pais não têm limites. Não é o adolescente que não tem limites, são os pais. Eles querem ir à academia, namorar, curtir a vida, cuidar da carreira e, enquanto isso deixam o filho com o terapeuta, com a babá, com o personal trainer. Ou seja: com ninguém.”

Mostrar a realidade, entender junto com eles que o mundo passa por profundas transformações e que precisamos desmistificar conceitos e padrões morais e fortalecer valores, para conseguirmos ser participativos nessa fase de grandes e sérias transformações, é nosso grande desafio! É preciso tornar-se facilitador e não mais um dificultador!

Juntos podemos construir alternativas que levem os adolescentes a entender qual seu lugar no mundo e a construir seu projeto de vida.

 

Se você gosta desse tema, ou passa por essa fase em casa ou no trabalho, participe:

Dia 17 de novembro, no Rios Hotel, às 18:00h: “Workshop : Sexualidade na Adolescência!”, com Paula de Ávila. VAGAS LIMITADAS. Inscrições pelo email: pauladeavila@hotmail.com

 

Boa reflexão!

 

Abraços!

 

 

                 Paula de Ávila

                     Mestre em Educação

 

 

 

 

 


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Parte, Içami Tiba...

Parte Içami Tiba...

Médico psiquiatra, psicodramatista, colunista, escritor de livros sobre educação familiar e escolar e renomado palestrante brasileiro.

 Professor em diversos cursos no Brasil e no exterior, criou a Teoria da Integração Relacional, que facilita o entendimento e a aplicação da psicologia por pais e educadores.

 Como palestrante Tiba também já fez mais de 3.200 participações de eventos do gênero. Inclusive, esteve em Rondonópolis, palestrando sobre seu livro Quem ama educa!

 Esse livro, lançado em 2002, já passou de 170 edições, um verdadeiro fenômeno editorial no Brasil. Foi editado em Portugal, Espanha e Itália e vendeu mais de 1 milhão de exemplares.

Içami fala da necessidade dos pais estabelecerem limites claros, aos filhos. Fala de valores humanos e sociais, como respeito, solidariedade, religiosidade, ética e responsabilidade. Fala de uma educação familiar, devolve à família, a responsabilidade de educar os filhos. Fala de uma educação baseada em limites, diálogo e autonomia.

Qual a novidade, então? Por que ficamos fascinados por suas palavras? Por que Içami Tiba foi e sempre será, um fenômeno em vendas e referência para a educação de filhos?

O óbvio continua nos encantando. E, como precisamos dele, cada vez mais, nos dias de hoje.

Precisamos nos lembrar do óbvio, para não nos perdermos. O óbvio nos mostrar, o óbvio! Nos leva de volta às nossas próprias responsabilidades. Faz-nos caminhar. Faz-nos reencontrar o elo perdido, a ligação conosco mesmo e com o mundo. Nos trás de volta para nossa intransferível responsabilidade, de pais e mães.

Parte, Içami Tiba, mas suas ideias ficam conosco. O resgate da simplicidade na forma de educar, o resgate do “lar”, na casa de todos nós.

Gratidão eterna!

“Os pais podem dar alegria e satisfação a um filho, mas não há como lhe dar felicidade.

Os pais podem aliviar sofrimentos enchendo-o de presentes, mas não há como lhe comprar felicidade.

Os pais podem ser muito bem-sucedidos e felizes, mas não há como lhe emprestar felicidade.

Mas os pais podem aos filhos, dar muito amor, carinho, respeito.

Ensinar tolerância, solidariedade e cidadania. Exigir reciprocidade, disciplina e religiosidade,

Reforçar a ética e a preservação da Terra. Pois é de tudo isso que se compõe a autoestima. É sobre a autoestima que repousa a alma,

E é nesta paz que reside a felicidade.”

IÇAMI TIBA

 


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Em tempos de Responsabilidade Social

No último dia 16, aconteceu uma Audiência Pública, na Câmara de Vereadores da nossa cidade, com o objetivo de discutir Responsabilidade Social Empresarial e a certificação que a Assembléia Legislativa de Mato Grosso oferece àquelas empresas com programas considerados socialmente responsáveis.

Mas, o que é Responsabilidade Social Empresarial?

Hoje, entende-se que seja “responder por nossas ações e atos”, dentro e fora da empresa.

Empresas socialmente responsável cuidam do ambiente interno e do ambiente externo. Isto é, cuidam de seus funcionários, por meio de políticas de incentivos de recursos humanos. E, cuidam do meio ambiente, cadeia produtiva, governos e comunidade, por meio de programas e projetos que beneficiem esses segmentos.

A Responsabilidade Social ganha força a partir dos anos 80 e, se tornou uma das razões de sobrevivência das empresas, em um mundo cada vez mais competitivo.

Contudo, não a confundamos com filantropia ou assistencialismo. Ações fragmentadas, pontuais e sem continuidade, não é Responsabilidade Social.

Esse é um processo contínuo de melhoria, com objetivos voltados a resultados coletivos, que transformem a vida de pessoas, grupos e, principalmente da própria empresa.

É uma tomada de decisão, da empresa. É o despertar para o seu papel social. É reconhecer-se, responsável pelas transformações que causa na vida das pessoas, com as quais convive. É entender que fazemos todos, parte de um mesmo mundo social e que tudo aquilo que afeta os funcionários, o entorno da empresa, o meio ambiente e a sociedade em geral, afeta a empresa também.

Se a afetação for positiva, pode ser partilhada. Se a afetação for negativa, tem que ser evitada.

Programas e projetos de educação permanente aos funcionários, creches internas, cursos de capacitação, partilha de lucros. Esses são exemplos de ações socialmente responsáveis, para o público interno.

Preservação do entorno ambiental, destinação ambiental devida dos resíduos, incentivos de desenvolvimento social local, parcerias com escolas e instituições. Esses são exemplos de ações responsáveis socialmente, para o público externo da empresa.

Parece simples, não é?

Mas, ainda não é. Estamos em pleno processo educacional, também nesse sentido. Como estamos educando nossos filhos para a Responsabilidade Social?

Um dia eles crescerão, poderão se tornar gestores ou empresários, da iniciativa pública ou privada e, mesmo colaboradores ou professores e suas idéias e atitudes precisam estar em sintonia com esse tema. Pois o mundo assim o exige! Não dá mais para correr. Não dá mais para fechar os olhos.

Quer pensar mais sobre Responsabilidade Social? Quer desenvolver ações socialmente responsáveis em sua empresa? Quer uma palestra sobre o tema? Eu posso te ajudar!

Todos ganharão e sua empresa evitará muitos transtornos, inclusive jurídicos e ações trabalhistas.

Muita luz!

 

Paula de Ávila – Assistente Social, Palestrante e Mestranda em Educação.

pauladeavila@hotmail.com


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A águia e a galinha, segundo Leonardo Boff

O contexto é o seguinte: em meados de 1925, James Aggrey havia participado de uma reunião de lideranças populares na qual se discutiam os caminhos da libertação do domínio colonial inglês.

As opiniões se dividiam. Alguns queriam o caminho armado. Outros, o caminho da organização política do povo, caminho que efetivamente triunfou sob a liderança de Kwame N'Krumah. Outros se conformavam com a colonização à qual toda a África estava submetida. E havia também aqueles que se deixavam seduzir pela retórica* dos ingleses. Eram favoráveis à presença inglesa como forma de modernização e de inserção no grande mundo tido como civilizado e moderno.

James Aggrey, como fino educador, acompanhava atentamente cada intervenção.

Num dado momento, porém, viu que líderes importantes apoiavam a causa inglesa. Faziam letra morta de toda a história passada e renunciavam aos sonhos de libertação. Ergueu então a mão e pediu a palavra. Com grande calma, própria de um sábio, e com certa solenidade, contou a seguinte história:

."Era uma vez um camponês que foi à floresta vizinha apanhar um pássaro para mantê-lo cativo em sua casa. Conseguiu pegar um filhote de águia. Colocou-o no galinheiro junto com as galinhas. Comia milho e ração própria para galinhas. Embora a águia fosse o rei/rainha de todos os pássaros.

Depois de cinco anos, este homem recebeu em sua casa a visita de um naturalista. Enquanto passeavam pelo jardim, disse o naturalista: – Esse pássaro aí não é galinha. É uma águia. – De fato – disse o camponês. É águia. Mas eu a criei como galinha. Ela não é mais uma águia. Transformou-se em galinha como as outras, apesar das asas de quase três metros de extensão. – Não – retrucou o naturalista. Ela é e será sempre uma águia. Pois tem um coração de águia. Este coração a fará um dia voar às alturas. – Não, não – insistiu o camponês. Ela virou galinha e jamais voará como águia. Então decidiram fazer uma prova.

O naturalista tomou a águia, ergueu-a bem alto e desafiando-a disse: – Já que você de fato é uma águia, já que você pertence ao céu e não à terra, então abra suas asas e voe! A águia pousou sobre o braço estendido do naturalista. Olhava distraidamente ao redor. Viu as galinhas lá embaixo, ciscando grãos. E pulou para junto delas.

O camponês comentou: – Eu lhe disse, ela virou uma simples galinha! – Não – tornou a insistir o naturalista. Ela é uma águia. E uma águia será sempre uma águia. Vamos experimentar novamente amanhã. No dia seguinte, o naturalista subiu com a águia no teto da casa. Sussurroulhe: -Águia, já que você é uma águia, abra suas asas e voe! Mas quando a águia viu lá embaixo as galinhas, ciscando o chão, pulou e foi para junto delas. O camponês sorriu e voltou à carga: – Eu lhe havia dito, ela virou galinha! – Não – respondeu firmemente o naturalista. Ela é águia, possuirá sempre um coração de águia. Vamos experimentar ainda uma última vez. Amanhã a farei voar.

No dia seguinte, o naturalista e o camponês levantaram bem cedo. Pegaram a águia, levaram-na para fora da cidade, longe das casas dos homens, no alto de uma montanha. O sol nascente dourava os picos das montanhas. O naturalista ergueu a águia para o alto e ordenou-lhe: – Águia, já que você é uma águia, já que você pertence ao céu e não à terra, abra suas asas e voe ! A águia olhou ao redor. Tremia como se experimentasse nova vida. Mas não voou.

Então o naturalista segurou-a firmemente, bem na direção do sol, para que seus olhos pudessem encher-se da claridade solar e da vastidão do horizonte. Nesse momento, ela abriu suas potentes asas, grasnou com o típico kau-kau das águias e ergueu-se, soberana, sobre si mesma. E começou a voar, a voar para o alto, a voar cada vez para mais alto. Voou... voou.. até confundir-se com o azul do firmamento... "

E Aggrey terminou conclamando: – Irmãos e irmãs, meus compatriotas! Nós fomos criados à imagem e semelhança de Deus! Mas houve pessoas que nos fizeram pensar como galinhas. E muitos de nós ainda acham que somos efetivamente galinhas. Mas nós somos águias. Por isso, companheiros e companheiras, abramos as asas e voemos. Voemos como as águias. Jamais nos contentemos com os grãos que nos jogarem aos pés para ciscar.

Conhecer é se libertar!

Boa semana!

Muita luz!


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Educar ou Escolarizar?

 

Hoje vamos refletir sobre o papel da família e o da escola, na vida das crianças e adolescentes.

Segundo Mário Sérgio Cortella, não é a família que tem que ajudar a escola na educação dos filhos. Mas, o contrário: a escola é que ajuda a família na educação das crianças, fazendo Escolarização.

Ou seja, a Educação das crianças é a formação do ser humano e a Escolarização é parte desse processo. Escolarizar é alfabetizar, ensinar os números e as letras.

À família cabe educar, como função primeira dela. À escola, escolarizar.

O bom mesmo é quando a família se une à escola e juntas pensam a educação e a escolarização das crianças.

Mas, a família não pode fugir de sua responsabilidade. A família tem que ter autoridade sob a criança. Tem que estabelecer limites claros e justos. Tem que educar com firmeza, com responsabilidade com a ordem. Tem que deixar claro quem é quem, na convivência familiar.

Essa geração atual está sendo formada muito suavemente, ou seja, sem muito compromisso, sem muita firmeza. A família está, na maioria das vezes, distraída com outras atividades e preocupações, se esquecendo de sua maior responsabilidade, a de criar filhos e filhas fortes e fortalecidos.

As crianças recebem muito e não aprender a partilhar, ou retribuir o que recebem.

Por que será que dizemos sempre que o mundo de hoje está muito egoísta? Que as pessoas só pensam em si?

Meninos e meninas que sendo amados aprendam a amar. Mas, que sendo bem criados, com acesso a bens de consumo, assistência odontológica, esporte, cultura e lazer, sejam também bem educados.

Mas, o que é uma boa Educação?

Podemos pensar em alguns passos:

1)     Saber e deixar claro quem é quem, na família. Quem manda e orienta e quem recebe a orientação. Quem são os pais e quem são os filhos.

2)     Deixar claro os papéis e responsabilidades dos pais e dos filhos.

3)     Ensinar os filhos a serem autônomos e independentes. E, deixar que eles sintam os efeitos de suas ações.

Por exemplo, se a criança falta à aula é dever do professor registrar essa falta. Certo? Então, por que alguns pais e mães se indispõem com o professor e não aceitam que faltar à aula implica em várias perdas, até em último caso, à perda do ano.

Educar é fácil, mas exige dedicação e conhecimento.

Sem receitas, podemos encontrar novos caminhos. Posso te ajudar nessa busca!

Envie um e-mail para: pauladeavila@hotmail.com e saiba mais.

Muita luz!

 


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A força de uma tradição...

Tradição é uma palavra latina, que significa "entregar" ou "passar adiante" costumes, comportamentos, memórias, rumores, lendas ou crenças de um povo. 

Passa-se adiante, para as pessoas de uma comunidade, ao longo dos anos e até séculos. Pessoas passam para outras pessoas, de geração em geração.

A repetição cria o hábito e "o hábito faz o monge", não é? 

Podemos nos perguntar: então, como se mudam as tradições? Ou somos eternamente escravos dela?

Vejamos o exemplo dessa semana. O presidente da Nigéria, Goodluck Jonathan, assinou  uma lei que quebra uma das mais antigas e cruéis tradições daquele país: a mutilação genital feminina.

A Nigéria e  outros países da África e, mais países pelo mundo, possuem essa prática como rotineira e culturalmente aceita. As meninas têm seus órgãos genitais removidos parcial ou totalmente, com a intenção de impedir que sintam prazer sexual.

Para muitos, a aprovação dessa lei, que criminaliza a mutilação feminina,  é uma esperança de que os nigerianos passem a entender que "práticas culturais e religiosas também devem se sujeitar aos direitos humanos".

Contudo, a erradicação desse ato exige muito mais que a criação de leis, em papéis. Há que haver investimentos, divulgação, todo um processo sócio educativo, para que essa situação seja entendida sob outra perspectiva e assim, abolida da vida daquela nação.

Entendemos que as tradições são mudadas, ao longo do tempo, por meio de um processo educativo, de mudança de valores de um povo.

Há aproximadamente 13 anos, defensores dos direitos humanos e ativistas, lutavam pela criação dessa lei, junto ao governo da Nigéria. Tudo devido aos números de casos, que crescem a cada dia. Segundo o jornal americano, International Bussines Times, cerca de 19,9 milhões de mulheres nigerianas, já foram mutiladas.

Como estão as tradições que seguimos, para educar nossos filhos? Quais são? Qual seu significado e sentido?

Pensemos nisso! Por que os caminhos existem e podemos sempre, escolher quais seguir.

Um grande abraço!!

 

 


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Autoridade x Autoritarismo

Quase todos nós, pais, mães e educadores de hoje, somos de uma época onde a regra para se educar crianças era o autoritarismo. Lembram-se de ouvir "manda quem pode e obedeçe quem tem juízo"?

Pois é. Para se educar tinha que haver gritos, ordens ditadas e punições, muitas vezes severas demais. O medo e as ameaças eram frequentes, no dia a dia dos educadores e dos educandos.

Nada de diáologo ou acordos, nada de ouvir o outro. Essa é a postura da pessoa autoritária, mas que nem sempre traz autoridade, consigo.

Como assim? Bem, a autoridade é conquistada, dia após dia. A autoridade se sustenta no exemplo do líder, do pai ou da mãe. A ordem sem exemplo, sem vivência, é vazia. E ninguém segue por muito tempo, uma ordem que não faça sentido para si mesmo.

No etanto, para fugir desse modelo educacional repressor, muitas vezes escolhemos o caminho oposto. Ou seja, o caminho que muitos estudiosos chamam de ultra-permissividade.

A ideia de que tudo pode, ou de que é mais fácil permitir e conseguir que a criança pare com a birra, nos leva a muitos enganos, também.

Assim, criamos a geração dos "imperadores". Meninos e meninas que não suportam o não e que acreditam que o mundo gira à sua volta. Crianças e adolescentes que se tornaram adultos sem noção de limites, hierarquia, papéis e responsabilidade.

Esse é um fenômeno atual, que acontece com qualquer um, em qualquer bairro, em qualquer família.

Vejamos o exemplo super recente, que correu nas redes sociais, dos quatro estudantes que almoçaram em um Mac Donald's, de um bairro nobre de São Paulo. Garotos ricos, alunos de escola particular renomada e que cometeram atos de vandalismo e discriminação, para dizer o mínimo, "naturalmente".

Descobrir a ponte entre o autoritarismo e a autoridade dos pais, é nosso grande desafio.

Muita luz!


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E o Trabalho Infantil?

No último dia 12, o Brasil e o mundo discutiram o fim do Trabalho Infantil.

Mas, como assim? "Criança não pode trabalhar, então? Criança e adolescente tem que passar o dia só desfrutando da vida? Se eu coloco meu filho para fazer tarefas domésticas, o Conselho Tutelar aparece. Por isso que esse país está assim. Eu trabalhei desde pequeno e não morri, virei uma pessoa de bem. A culpa é desse ECA."

Esse é o pensamento de muitos de nós, ainda. Então, vamos lá!

O que afinal, diz o ECA - Estatuto da Criança e do Adolescente - e a Constituição Federal?

"É proibido qualquer trabalho a menores de 14 anos de idade, salvo na condição de aprendiz."

"Proibição de trabalho noturno, perigoso e insalubre a menores de 18 e de qualquer trabalho a menores de 16 anos, salvo na condição de aprendiz, a partir dos 14 anos".

Trabalho noturno, perigoso e insalubre. Trabalho e não aprendizagem. Trabalho tem horário a ser cumprido, tem salários.

Aprendizagem é diferente. A criança e o adolescente são aprendizes. Eles estão em fase de desenvolvimento, estão aprendendo tudo. Eles não são adultos em miniaturas. Não podem assumir as funções dos adultos.

Mas, não significa que os pais estejam proibidos de ensiná-los.

Proibido é impor obrigações de adulto, à criança. Proibido é tortura física e psicológica. Proibido é levar a criança ou o adolescente a trabalho noturno. Proibido é expor a criança ou ao adolescente à situações de prostituição, bebidas alcoólicas, drogas ou violência. Proibido é castigar a criança, quando ela não dá conta de fazer as tarefas da casa. proibido é impedir a criança de estudar ou brincar, para trabalhar.

Como saber o que posso fazer, então?

Tudo aquilo que for aprendizagem, desde que não seja insalubre ou humilhante. Todo aprendizado que for trazer o desenvolvimento pleno e  saudável da criança, eu posso fazer.

Vejamos 05 exemplos:

1) ensinar a criança a juntar os brinquedos e sapatos, que ela mesma espalhou pela casa, não é trabalho. É aprendizagem!

2) ensinar a criança a carregar a sua própria mochila escolar, não é trabalho. É aprendizagem! (desde que a distância não seja muito longa)

3) ensinar a criança e o adolescente a arrumar o quarto e o guarda-roupas, não é trabalho. É aprendizagem!

4) ensinar a criança a fazer seu próprio lanche, não é trabalho. É aprendizagem!

5) ensinar a criança e o adolescente a ajudar nas tarefas da casa, com o computador, com as contas, não é trabalho. É aprendizagem!

Lembre-se, o menino ou menina de 18 anos de hoje, egoísta, que não ajuda em casa, que não arruma o próprio quarto, que não vai ao açougue, que não faz um arroz, um dia foi criança.

E, provalvemente, ninguém o ensinou. Ou talvez, ensinaram e não explicaram a importância de tudo isso. Portanto, não teve sentido algum para ele, era apenas uma obrigação.

De novo, o bom e velho diálogo!

Não se esqueçam: não podemos voltar atrás e fazer tudo de novo, mas qualquer um pode começar de novo e fazer um novo fim!

Não existem receitas, mas caminhos existem! Sejam felizes!

 

 

Toda semana estaremos no Primeira Hora, sempre nas segundas ou terça-feiras, para pensarmos Educação e Vida, com Paula de Ávila.

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